sábado, 29 de maio de 2010

lembranças

a gente envelhece e as imagens vêm assim como flashes
aparecem... depois somem... em segundos
e a cada ano a gente se esforça mais para resgatá-las
tudo vira imprecisão:
cores de um dia de sol
alegria de aniversário de criança brindado com tubaína
coração batendo forte ao lembrar daquela menina
o primeiro amor
- mas éramos tão pequenos! - não me lembro. - vejo nas fotos.
- me achava tão grande.
lembranças do primeiro dia de aula
da primeira professora
das primeiras amizades
das viagens ao interior
da estrada que nunca acabava
com a sua reta infinita, parecia querer nos levar ao infinito
dos desvios da Marechal Rondon em reforma
das cidadezinhas que passavam pela janela do ônibus
todas muito parecidas
algumas com nomes engraçados
outras com nomes indígenas
outras com nome de santos, presidentes, etc.
e pareciam existir apenas nas vistas dos espectadores que por ali passavam
e ao terminarem de passar, elas desapareciam
como um cenário desmontável
que saudade que me dá
do barulho do trem
bem longe, bem longe...
no horizonte da fazenda
unindo a terra ao céu
avisando que por lá estava a passar
com seu indefectível apito
e o som do deslizar nos trilhos

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