terça-feira, 18 de outubro de 2011
assim é Juliana
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
O Comprador de sonhos
Eu compro sonhos fascinantes e mentiras bem contadas. Alguém quer vender?
Conte-me a sua estória, seus sonhos, trajetória, pensamentos, me conte com ironia, sarcasmo, emoção, mas faça valer como verdades, pode aumentar, pode distorcer, pode resumir, mas faça soar como verdades.
Busque fontes fidedignas ou datas incertas, nomes verdadeiros ou falsos, cores, condição do tempo, período histórico, mas faça soar como verdades.
- Estávamos eu, Júlia, Carlos, o Luiz e a Fernanda (será mesmo que a Fernanda foi?), era uma tarde ensolarada (sol ou mormaço?) numa praiazinha em Ubatuba, em 2003 (ou seria Caraguá em 2002).
Esqueça os parênteses, mesmo que não se lembre de tudo, mesmo que lhe falhe a memória, que haja confusão ou indecisão, faça tudo soar e valer como verdades.
Eu compro os seus sonhos inatingíveis, multicoloridos: uma casinha de palha no norte de Minas Gerais, um lugar ermo no ponto mais oriental do Oceano Atlântico, uma pousada em Trancoso... eu acredito no seu amor incondicional, eu acredito no seu companheirismo, eu acredito na sua fidelidade, mas me faça soar como verdades. Compro sorrisos sinceros, abraços fraternos, eternas amizades, desde que soem como verdades.
*Um homem na rua me pára e conta os últimos acontecimentos de sua vida:
- Senhor, tem um dinheiro pra me dar, eu vim pra São Paulo há um ano, nessa cidade só me dei mal, fui acusado de algo que não fiz, fui preso, agora que saí da cadeia, não consigo mais emprego por ter ficha suja na Polícia. Preciso juntar dinheiro pra comprar passagem e voltar pro interior, Araçatuba, onde tenho mulher e filhos, até agora tenho 15 reais, tá difícil de conseguir os 67R$ que eu preciso, pois uso parte do dinheiro que me dão pra comer e tomar banho.
Ouço toda a estória, faço perguntas durante a conversa, esboço familiaridade por também ter parentes no interior, dou o dinheiro, desejo boa sorte e vou-me embora.
Ao chegar ao trabalho comento com um colega o ocorrido e ouço a seguinte afirmação:
- Era tudo mentira, esse cara vai pegar o dinheiro pra comprar drogas, ou bebidas.
Não me importo com o que aquele rapaz ia gastar os míseros 5 reais que lhe entreguei, quem sou eu para julgar?Afinal, eu compro sonhos fascinantes e mentiras bem contadas. Alguém mais quer vender?
*Ponto importante para a criação desta minha filosofia de bar.
sábado, 29 de maio de 2010
lembranças
aparecem... depois somem... em segundos
e a cada ano a gente se esforça mais para resgatá-las
tudo vira imprecisão:
cores de um dia de sol
alegria de aniversário de criança brindado com tubaína
coração batendo forte ao lembrar daquela menina
o primeiro amor
- mas éramos tão pequenos! - não me lembro. - vejo nas fotos.
- me achava tão grande.
lembranças do primeiro dia de aula
da primeira professora
das primeiras amizades
das viagens ao interior
da estrada que nunca acabava
com a sua reta infinita, parecia querer nos levar ao infinito
dos desvios da Marechal Rondon em reforma
das cidadezinhas que passavam pela janela do ônibus
todas muito parecidas
algumas com nomes engraçados
outras com nomes indígenas
outras com nome de santos, presidentes, etc.
e pareciam existir apenas nas vistas dos espectadores que por ali passavam
e ao terminarem de passar, elas desapareciam
como um cenário desmontável
que saudade que me dá
do barulho do trem
bem longe, bem longe...
no horizonte da fazenda
unindo a terra ao céu
avisando que por lá estava a passar
com seu indefectível apito
e o som do deslizar nos trilhos